Blog

O papel da família na educação dos filhos

Por Bárbara Pacífico

Pensar no papel dos pais na educação dos filhos é idealizar pais presentes também no ambiente escolar, contribuindo com a aprendizagem e promovendo uma boa educação no âmbito familiar. A família, como primeira instituição social, dá a base para os enfrentamentos sociais da criança, ou seja, insere as elaborações iniciais da vida. Velasquez traz a ideia de que “A personalidade da criança e do adolescente se estrutura e molda essencialmente no meio familiar. Os pais, responsáveis pela educação e orientação de seus filhos, devem assumir o seu papel e, além de oferecer amor, impor limites a seus descendentes.”

No contexto da pandemia, a maneira de conduzir a educação escolar foi redimensionada, os ambientes de casa e escola em dados momentos se fundem. Estimular as crianças, participar das atividades escolares, observar as aulas, participar das reuniões, conhecer seu filho quanto educando, puderam ser vistas de um novo ângulo. Souza (2020), discute bem que “no  período  da  pandemia,  novas  relações  afetivas  e  profissionais  foram  criadas  e  ressignificadas, muitas  pessoas  passaram  a  trabalhar  remotamente;  famílias  passaram  a  conviver  cotidianamente  com vários conflitos.” É importante entender as responsabilidades cabíveis aos filhos e à escola, a inserção da educação em casa forma o caráter e enfatiza as relações na escola, isso implica dizer, que a base da educação se faz no ambiente familiar.

Contexto histórico

Antes do século XVII, os valores e os conhecimentos relacionados às práticas profissionais e morais eram apreendidas em sua maioria, no seio dos grupos familiares. A partir do século XVII, com a origem das cidades modernas, a instituição escolar ganhou importância e passou a ser vista como uma continuação da educação familiar. No Brasil, essa crescente preocupação em instruir e educar as massas populares, para garantir o progresso e o desenvolvimento da nação, se iniciou no século XIX. Desde o início do século XX, a preocupação em aproximar as famílias da instituição escolar já existia. 

Funções Família e Escola

Oliveira (2003) afirma que a família é o primeiro meio de socialização da criança, dentre as suas principais funções está a “função educacional”, responsável por transmitir valores e padrões culturais da sociedade. Como função da escola, Polonia e Dessen (2005) concluem que “a escola deve visar não apenas a apreensão do conteúdo, mas ir além, buscando a formação de um cidadão inserido, crítico e agente de transformação, já que é um espaço privilegiado para o desenvolvimento das ideias, crenças e valores”. 

A separação das funções é importante para entender quais os papéis das instituições na educação dos filhos, tendo em vista que atualmente ocorrem questões de ambivalência entre a escola e a família. Rosa (2020) muito bem coloca que a relação entre a família e a escola é uma relação onde uma depende da outra, ressaltamos assim a necessidade de uma colaboração das duas partes em relação à imposição de limites, ao convívio social, à formação do indivíduo, à partilha de valores, além das questões pedagógicas.

A psicóloga Jordana de Castro Balduino discute a ideia dos papéis da escola e da família referente à educação, onde todas as questões são levadas em consideração, desde a escolha de uma escola que corresponda às necessidades, quanto a disponibilidade desse compartilhamento. Relembra que sempre que for pensar na escola, é importante fazer tais questionamentos: 

· Estou ensinando o meu filho a respeitar as regras da sociedade e em especial da sua escola?

· Tenho dado autoridade à escola para contribuir de fato na educação do meu filho?

· Qual a importância do professor na sua vida?

· Na medida do possível tenho participado das atividades da escola?

Pandemia: rotina e desafios

Com o distanciamento social imposto pela pandemia, rotinas foram reinventadas, novos comportamentos e demandas surgiram para as famílias e para a escola. Foi preciso criar adaptações para não paralisar as atividades e não interferir negativamente no desenvolvimento da aprendizagem. A Sociedade Brasileira de Pediatria (2020) traz pontos de como essa nova dinâmica pode causar estresse na vida das pessoas. Com isso, fornece algumas dicas importantes para os pais nesse momento de pandemia: 

  • Os adultos devem realizar momentos de diálogo para discussão das atividades prioritárias do dia a dia, das necessidades básicas da casa, da divisão de tarefas e obrigações. Deve-se organizar os horários do trabalho de cada um dos pais, tentando intercalar os períodos para os demais afazeres da casa e das crianças.
  • Dar abertura para que eles possam expressar seus sentimentos e suas dúvidas em um ambiente acolhedor e de apoio mútuo.
  • Realizar o planejamento de agenda dos filhos juntamente com eles, incentivando-os a organizar horários equilibrados para manter as atividades de brincadeiras, estudo, leitura, música, atividade física, sono e tempo de tela, respeitando os limites da rotina saudável.
  • Intercalar períodos de atividades físicas dentro do lar em mais de um horário do dia nos turnos da manhã e da tarde e, se possível, fazer as atividades em conjunto pais e filhos. Estimular a criança e o adolescente a ser criativo para realizar essas atividades em casa que podem ser de circuitos feitos com travesseiros e garrafas plásticas, pular corda, dançar, artes marciais dentre outros.
  • Usar a tecnologia a favor de todos. Definir com as crianças os horários para o uso saudável das telas, segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, evitando ultrapassar os limites e o acesso sem supervisão a conteúdos inadequados.
  • Inserir as crianças e adolescentes nas tarefas domésticas respeitando a capacidade de acordo com a idade de cada um. Incentivar o ensino colaborativo supervisionado enquanto realizar essas atividades e aproveitar para ensinar afazeres de forma alegre e prazerosa, pois isso pode trazer grande aprendizado para a criança e adolescente.
  • Incluir na agenda pausas durante o dia para que a família possa estar unida de forma alegre e prazerosa. Tente realizar as refeições junto com as crianças abordando temas construtivos. Praticar as técnicas de atenção plena e de relaxamento.
  • Seja você o modelo de comportamento que espera de seus filhos. Portanto, os pais devem evitar excesso de tela, manter o lar harmonioso e demonstrar de forma assertiva e genuína como lidar com equilíbrio com essa situação adversa só traz benefícios na construção de um cérebro saudável na infância. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2020)

Recomendação de leitura: PAIS E FILHOS EM DISTANCIAMENTO SOCIAL <https://www2.ufjf.br/siassgv/wp-content/uploads/sites/107/2020/08/cartilha.pdf&gt;

Referências:

POLONIA, Ana da Costa; DESSEN, Maria Auxiliadora. Em busca de uma compreensão das relações entre família escola. Psicol. Esc. Educ. (Impr.), Campinas, v. 9, n. 2, p. 303-312, dez. 2005. 

ROSA, Luciana de Fatima da. Relação família e escola: as contribuições no desempenho escolar de alunos nos anos iniciais. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) – Faculdade de Ensino Superior do Centro do Paraná, Pitanga, 2019.

OLIVEIRA, PÉRSIO SANTOS DE. Introdução à sociologia da educação. 03.ed. São Paulo: Ática, 2003.

GONÇALVES, Alexandra; RIBEIRO, Célia. O papel dos pais na escolarização dos filhos com perturbação da aprendizagem específica com défice na leitura. Gestão e Desenvolvimento, n. 24, p. 213-230, 2016.

http://www.minutopsicologia.com.br/postagens/2016/07/24/familia-e-escola-uma-relacao-necessaria/

Blog

Combater o Bullying Salva Vidas #ÉDAMINHACONTA

Você sabia que o dia 7 de abril é o dia nacional do combate ao bullying e a violência na escola? A lei foi sancionada pela Presidenta Dilma Rousseff no dia 29 de abril de 2016. Antes disso, o projeto de Lei que deu origem à norma foi aprovado simbolicamente pela câmara de deputados no dia 7 de abril de 2016, exatamente cinco anos depois do massacre de Realengo.

A escola não é um ambiente fácil. Muitas crianças e jovens com criações e costumes diferentes compartilham o dia a dia, de início com uma única coisa em comum: o conhecimento. Mesmo com tantas diferenças expostas, afinidades são construídas, grupos são formados, e o diferente que não se encaixa nos padrões tende a ficar de fora e acaba muitas vezes sendo tratado como uma peça de lego defeituosa que não se encaixa nas demais.

A palavra bullying, em inglês, é um substantivo derivado do verbo bully, que significa “machucar ou ameaçar alguém mais fraco para forçá-lo a fazer algo que não quer”. No Brasil, o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa indica a palavra “bulir” como equivalente a “mexer com, tocar, causar incômodo ou apoquentar, produzir apreensão em, fazer caçoada, zombar e falar sobre, entre outros”

•Entendendo o que é bullying:

O bullying é uma violência silenciosa e quieta, mas nunca sem intenção de ferir. Mascarada muitas vezes por um tom de brincadeira, o bullying atinge a vítima de forma avassaladora, causando medo, pânico, danos físicos e psicológicos à vítima.


Na era virtual, o bullying não acontece só no ambiente escolar, e, a violência é levada às redes sociais, onde outras pessoas, pessoas essas que por sua vez não tem contato com a vítima, mas por achar a situação engraçada acaba compactuando com os agressores, levando a violência à um nível maior e mais difícil de ser controlado

•Como prevenir o bullying nas escolas:

  • Incentivando a diversidade
  • Com empoderamento dos alunos
  • Respeitando as diferenças
  • Através de debates e campanhas de conscientização

A solidariedade, a diversidade, o comportamento ético e o respeito devem ser estimulados sendo temas de trabalhos em grupo e exercícios. Os educadores devem incentivar a empatia em toda e qualquer tarefa e o ambiente deve favorecer a comunicação entre todos os alunos. Também é importante que a escola crie campanhas que incentivem a denúncia e proponha encontros para discutir assuntos como: desrespeito, agressão e bullying.

Cyberbullying

Na internet, o jovem agressor pode ganhar anonimato e uma grande plateia e por isso se sente mais forte. De qualquer maneira, proibir o uso da internet na escola não é uma solução, pois os atos ainda podem ser praticados fora dela.

É importante conscientizar os alunos e orientá-los quanto aos bons e maus usos da internet, sugerir atividades educativas na rede e mostrar as possíveis consequências de práticas perigosas. Bate-papos descontraídos sobre as relações interpessoais na rede, com conselhos e direcionamentos para casos de implicância de colegas também são uma alternativa.

•Como identificar os casos de agressões 

No contexto escolar, esta prática pode ser definida como uma sequência de agressões intencionais:

Agressões físicas ou verbais realizadas por um ou mais alunos contra um colega. Diferentemente de um conflito isolado, o bullying é repetitivo e carrega a possibilidade de danos psicológicos em sua atuação. Mesmo uma fofoca de mal gosto pode tornar-se bullying.

•Identifique o agressor:

•Comportamento provocador
•Impressão de autoconfiança
•Pode ter popularidade entre os colegas
•Às vezes, sua relação familiar é pouco afetiva ou apresenta uma rotina de constante pressão para a realização de atividades, seja na escola ou em casa.

•Identifique a vítima:

•Costumam ser tímidas e menos confiantes.
•Carregam características consideradas distintas pelos demais, sejam estas: Diferenças físicas,nomes incomuns.
•Comportamento diferenciado ou quaisquer outras condições.

•O trabalho da escola no combate ao bullying:

A coordenação e o corpo docente devem estar atentos aos menores sinais, a fim de evitar situações de agressão. Para identificar alunos que possam sofrer este tipo de abuso, pode-se observar a recusa em ir à escola e repentinas demonstrações de irritação, baixa autoestima, pouca socialização com os colegas, medo e vergonha excessivos, queda no rendimento escolar e alterações do sono ou apetite.

Campanha de Conscientização

Em 7 de abril de 2019, Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, a SaferNet e a UNICEF lançaram uma campanha de conscientização pelo combate ao bullying focada em jovens e adolescentes. “Acabar com o bullying #édaminhaconta” foi desenvolvida em parceria com Facebook e Instagram. A campanha foi criada com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a prática de bullying e a violência nas escolas. E também no ambiente virtual.



Calar-se em situações de violência é compactuar com o que está sendo praticado. A campanha da SaferNet e da UNICEF tentam despertar a empatia para que o bullying não passe despercebido e mostra que é necessário sim interferir e que essa interferência salva vidas.

O bullying é muito comum durante a infância e a adolescência, é necessário que haja comprometimento das escolas no combate a essa violência. A instituição precisa envolver os alunos em debates sobre diversidade e aceitação, os pais precisam ser acolhidos para estarem a par do engajamento da escola no combate e prevenção, tanto para que possam identificar algum sinal de que o filho está sofrendo ou praticando. O papel dos pais nessa luta é tão fundamental quanto o da escola, uma vez que muitos pais podem entender a prática como uma brincadeira de criança, ou uma bobagem. O bullying é uma forma real de violência e com as redes sociais ele se faz cada vez mais presente na vida dos jovens, o combate precisa ser feito, mas não só hoje e sim todos os dias.