Arquitetura

Sessão Arquitetura Acessível: Desenho Universal

Olá seguidores do Busca! Nesta semana vamos dar continuidade ao quadro Sessão Arquitetura Acessível. No último post, abordamos sobre a Norma Técnica Brasileira 9050/2015 que se refere às regras e parâmetros para serem seguidos garantindo a acessibilidade em edificações. Se você não sabe do que eu tô falando, pode clicar aqui, que você será redirecionado para este post 😀

E como mencionado, o conceito de Desenho Universal também está atrelado à acessibilidade, procurando garantir a inclusão não só de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, mas de “(…) todas as pessoas que vivem em sociedade.” (GABRILLI, 2007) e por isso, também é assunto neste quadro.

Este conceito surgiu após a Revolução Industrial, onde se via uma produção sendo realizada em massa e sem planejamento. Nessa produção faltava uma visão direcionada para a necessidade e forma de utilização destes produtos/imóveis pelos usuários finais. 

A partir disso, diversos países se juntaram para reinventar a forma de produção, no ano de 1961. Dentre esses países estavam o Japão, os Estados Unidos e alguns países da Europa, países característicos de produção em massa. Devido a essa reunião, em Washington no ano de 1963, surgiu “(…) uma comissão com o objetivo de discutir desenhos de equipamentos, edifícios e áreas urbanas adequados à utilização por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida”. Essa comissão se chamou Barrier Free Design.

Os principais aspectos a serem considerados na concepção de produtos ou projetos de edificações e de interiores são:

  1. Altura: da cabeça aos pés; o máximo alcance dos braços esticados; o alcance dos olhos do observador;
  2. Idade: percepção do espaço como adultos e crianças;
  3. Força/Destreza: máximo de esforço que o usuário pode aplicar para realizar alguma ação; produção específica para destros ou canhotos; e etc.

Somente em 1987, o termo Universal Design (Desenho Universal) foi criado pelo arquiteto Ron Mace, que usava cadeira de rosas e um respirador artificial. 

Arquiteto Ron Mace.

Ele então conseguiu reunir vários arquitetos e pessoas que defendiam as mesmas ideias para estabelecer princípios do conceito que podem ser seguidos para a elaboração de objetos visando sempre o acesso de uma grande massa àquele objeto e/ou espaço. Estes princípios serviriam para que pudessem ser “mundialmente adotados para qualquer programa de acessibilidade plena”. Ao todo são considerados 7 princípios, dentre eles: 

  1. Igualitário – Uso Equiparável: espaços, objetos e produtos que podem ser utilizados por pessoas com diferentes capacidades; 

EX.: Portas automáticas com sensores de presença que não exigem esforço físico dos usuários.

Desenho Universal, 2007.
  1. Adaptável  – Uso Flexível: design de produtos ou espaços que atendem pessoas com diferentes habilidades e diversas preferências, sendo adaptáveis para qualquer uso;

EX.: Computador com teclado e mouse ou com programa; e Tesoura que se adapta a destros e canhotos.

Desenho Universal, 2007.
  1. Óbvio – Uso Simples e Intuitivo: placas indicativas que facilitem o entendimento do espaço; 

EX.: Sanitários feminino e masculino e para pessoas com deficiência.

Desenho Universal, 2007.
  1. Conhecido – Informação de Fácil Percepção: mapas com informações também em alto relevo; 

EX.: Símbolos e letras em relevo, braille e sinalização auditiva.

Desenho Universal, 2007.
Desenho Universal, 2007.
  1. Seguro – Tolerante ao Erro: previsto para minimizar os riscos e possíveis conseqüências de ações acidentais involuntárias; 

EX.: Elevadores com sensores em diversas alturas.

Desenho Universal, 2007.
  1. Sem Esforço – Baixo Esforço Físico: para ser usado eficientemente, com conforto e com o mínimo de exigência de esforço físico); e 

EX.: Torneiras de sensor ou de alavanca; e Maçanetas tipo alavanca.

Desenho Universal, 2007.
Desenho Universal, 2007.
  1. Abrangente – Dimensão e Espaço para Aproximação e Uso: poltronas, cadeiras e banheiros com dimensões adequadas para obesos, cadeirantes e pessoas que estão com carrinho de bebê.

EX.: Poltronas para obesos em cinemas e teatros; Banheiros para cadeirantes ou com carrinhos de bebês.

Desenho Universal, 2007.
Desenho Universal, 2007.
  • LEGISLAÇÃO E DESENHO UNIVERSAL

É importante frisar que o conceito de Desenho Universal não surgiu em formato de lei, porém isso veio a acontecer no ano de 2004, no Brasil, a partir do Decreto Federal 5.296. No decreto há a definição do conceito como: “concepção de espaços, artefatos e produtos que visam atender simultaneamente todas as pessoas, com diferentes características antropométricas e sensoriais, de forma autônoma, segura e confortável, constituindo-se nos elementos ou soluções que compõem a acessibilidade”.

O decreto ainda enfatiza que para a sua aplicação, é necessário que os projetos tenham como “referências básicas as normas técnicas de acessibilidade da ABNT, a legislação específica e as regras contidas no Decreto(…)”.

Atrelando as regras da NBR 9050 com as propostas do conceito de Desenho Universal é possível criar ambientes inteiramente acessíveis. Tendo agora o conhecimento sobre o surgimento do conceito de acessibilidade e entendendo como ela é regida, podemos prosseguir com o nosso quadro abordando diferentes espaços acessíveis direcionados a diferentes usuários. Então fiquem atentos e aguardem pelo post da semana que vem! 

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Referências:

Desenho Universal: Um Conceito Para Todos, Mara Gabrilli (2007). Disponível em:<https://www.maragabrilli.com.br/wp-content/uploads/2016/01/universal_web-1.pdf> Acesso em 11 de abril de 2021.