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SESSÃO DE ARQUITETURA ACESSÍVEL: O TURISMO E(M) CIDADES ACESSÍVEIS

Olá!! Esperamos que essas últimas semanas tenham sido bastante produtivas e que estejam preparados para a época de férias, em que o tão querido descanso se aproxima nesses meses de junho e julho! 

O Busca Especial volta ao blog essa semana com mais um post da Sessão de Arquitetura Acessível e trouxemos algumas dicas de cidades que oferecem acessibilidade com qualidade e com isso se tornam mais atrativas para o turismo.

Neste quadro já apresentamos as normas que espaços públicos e privados devem seguir para garantir a acessibilidade, você pode ver algumas dessas postagens AQUI!

Infelizmente, apesar de estarmos em época de férias, não é o momento de viajar, mas você pode deixar essa postagem nos seus favoritos para não esquecer de visitar após esses tempos turbulentos. E vamos às cidades que valem a pena visitar e que vão estar preparadas para te receber:

  1. UBERLÂNDIA/MG

A cidade de Uberlândia está localizada no estado de Minas Gerais, na região Sudeste, e está presente na lista de 100 destinos de inclusão realizada pela ONU. Essa cidade é realmente referência ao falar de acessibilidade.

É super importante garantir a acessibilidade dos visitantes, mas mais ainda, é garantir a acessibilidade de seus próprios habitantes. E dentre os diversos projetos disponíveis por lá, a prefeitura oferece atendimento à pessoas com mobilidade reduzida que não possuem condições de utilizar o sistema de transporte tradicional, mesmo que adaptado, através do programa Porta a Porta (imagem abaixo), onde vans adaptadas buscam seus usuários em seus lares e os levam para escola, cursos, hospitais e locais de cultura e lazer. 

De transporte público equipado com elevadores à calçadas projetadas adequadamente com piso tátil e rampas, a cidade esbanja excelente planejamento através do Departamento de Acessibilidade do município que avalia se as obras de uso público estão sendo projetadas visando garantir a acessibilidade de um grande grupo de usuários.

Mas além de usufruir de todos os direitos básicos, a cidade ainda conta com um Mapa de Turismo Acessível online (imagem abaixo), disponibilizado pela prefeitura e realizado em parceria com a população.

Este mapa expõe informações sobre “…hospedagem, gastronomia, cultura, entretenimento e esporte…”. Até fevereiro de 2020 (data da matéria) já haviam 50 pontos marcados, sendo 27 sobre hospedagens que traziam também o nível de acessibilidade apresentado pelo hotel.

Quanto a esses níveis, isso é assunto para outra sessão! 😉

  1. FORTALEZA/CE 

Quem não gosta de uma cidade litorânea, não é mesmo?! E nesse momento você deve estar se perguntando: “é possível garantir a acessibilidade em praias?” E a resposta é: 

CLARO QUE SIM!

Além do calçadão projetado adequadamente, atualmente, existem projetos atrelados às prefeituras que têm o intuito de oferecer meios físicos para que pessoas com mobilidade reduzida possam ter seu momento de lazer até em ambientes que parecem muito difíceis.

O projeto que se encontra na cidade de Fortaleza se chama Projeto Praia Acessível (imagem abaixo). 

E esse projeto é composto por fisioterapeutas ou estudantes que através de equipamentos, conseguem oferecer um momento de lazer à essas pessoas. Além dos equipamentos que permitem a entrada no mar, eles realizam atividades como o frescobol e o voleibol adaptado, fornecendo assim mais opções de lazer ao público. 

O Projeto Praia Acessível também está nas cidades de Vitória/ES, Santos/SP, Guarujá/SP, Luís Correia/PI, Itanhaém/SP e entre outras. E se você é de Pernambuco, você pode encontrar um programa similar, chamado Praia sem Barreiras, nas praias de Porto de Galinhas – Ipojuca e na Praia de Boa Viagem – Recife! Você ainda pode conferir mais cidades que possuem programas similares nas praias neste LINK!

  1. FOZ DO IGUAÇU/PR

Não sei vocês, mas a gente adora uma curiosidade… e falando em curiosidade, vocês sabiam que a cidade de Foz do Iguaçu foi uma das cidades pioneiras no turismo inclusivo? 

A cidade possui vagas destinadas a idosos e pessoas com mobilidade reduzida, rampas e piso tátil nas vias urbanas. E além disso, a cidade que realiza a fronteira do Brasil com o Paraguai e Argentina, abriga um Parque Nacional, onde você pode conhecer as Cataratas com todo o auxílio necessário para aproveitar o passeio. 

Você ainda pode conhecer a Trilha do Poço Preto, o Macuco Safari e o Espaço Naipi. E em todos esses destinos, será possível aproveitar com a acessibilidade necessária sendo garantida por todo o passeio.

É tão bom saber que será muito bem recebido ao chegar em tal cidade escolhida com tanto carinho para passar seu precioso tempo de descanso, não é?! Além dessas cidades, existem muitas outras que são referência em acessibilidade, então quem sabe a gente não traz uma parte 2 para esse post e assim a lista de possibilidades vai aumentando!

Se você já visitou alguma dessas cidades, deixe aqui nos comentários como foi a sua experiência por lá. E se você conhece alguma cidade que também possa ser exemplo, compartilhe com a gente, quem sabe ela aparece por aqui!!

Esperamos que tenha gostado e enquanto espera o próximo post da Sessão de Arquitetura Acessível, acesse o nosso blog, confira nossas últimas postagens e se mantenha conectado ao nosso instagram!!

FONTES:

 8 cidades com turismo acessível para pessoas com deficiência (freedom.ind.br)

6 cidades exemplos em acessibilidade para PCDs | Summit Mobilidade (estadao.com.br)

Acessibilidade Urbana: 5 cidades acessíveis no Brasil para você viajar! | Inclusão e Acessibilidade por Suelén Almeída (viajecomacessibilidade.com.br)

Gratuidade e benefícios – Portal da Prefeitura de Uberlândia (uberlandia.mg.gov.br)

As praias com acessibilidade para cadeirantes no Brasil (temporadalivre.com)

IMAGENS: 

Razões para conhecer as Cataratas Argentina (comboiguassu.com.br)

Turismo em Fortaleza – Jornal do Commercio (uol.com.br)

‘Mapa do Turismo Acessível’ está aberto a colaborações – Portal da Prefeitura de Uberlândia (uberlandia.mg.gov.br)

Macuco Safari prioriza acessibilidade. Foz do Iguaçu sem barreiras. (ricardoshimosakai.com.br)

Arquitetura

Sessão Arquitetura Acessível: Setting Terapêutico – Psicologia e Arquitetura

por Beatriz Terra e Barbara Pacifico

O Setting terapêutico se constitui como um espaço seguro e sólido, onde o processo tem início. Um local silencioso, onde o psicólogo e o indivíduo estabelecem regras e apresentam suas questões. O psicólogo deve apresentar de início suas regras, para ter maior controle das situações que poderão surgir, exemplo disso é se colocar com neutralidade e imparcialidade.

De acordo com Moreira e Esteves (2012), uma forma clara de entender o Setting é como “regras de um jogo”, essas serão expostas pelo psicólogo no início do contrato, os jogadores entendem as regras antes de começar a jogar. Muitas vezes nem todas as regras são apresentadas, preservando algumas particularidades, o jogo pode ir se moldando a partir do que vai sendo revelado durante o “jogo”.

Freud traz o Setting como um campo seguro, tendo sua inserção pelo contrato, dando início ao processo terapêutico, durante sua experiência clínica teve como objetivo delimitar o espaço entre terapeuta e paciente, sem aprisionar a papéis já determinados, sendo livre as mudanças de “regras do jogo”.

O Setting fora do consultório

Com o passar dos anos, a psicologia foi sendo solicitada em muitos campos de atuação, com isso alguns conceitos vão se adaptando a essas demandas, a psicologia social, hospitalar, comunitária, ambiental, todas tem espaço terapêutico e de vínculos.

O setting pode ser visto como um espaço físico em um consultório, um divã, a formalidade idealizada para algumas abordagens. Entretanto, na elasticidade do setting estão muitas áreas da psicologia como forma de apresentar controle no exercício da profissão. 

O Design do Setting Terapêutico 

Como nós já tínhamos tratado no post de Desenho Universal, de acordo com a visão da arquitetura, cada ambiente deve ser adequado a cada tipo de usuário. Contudo, isso também equivale a cada atividade a ser realizada no local. Para um espaço como o setting terapêutico, é necessário que ele transmita uma mensagem, essa sendo de tranquilidade, confiança, aconchego, liberdade e entre outros. Isso também equivale à proximidade que se deseja criar entre o psicólogo e o indivíduo.

Por exemplo, no setting terapêutico, podemos contemplar 2 grupos divididos por faixa etária: infantil e adulto. O grupo mais característico, o infantil, é claro que será necessária a presença de brinquedos, jogos e figuras lúdicas. É importante que nesse espaço existam estímulos direcionados ao tipo de demanda, como também ter praticidade, pois também é necessário acolher a família dessa criança com o intuito de entender todo o meio em que a criança vive.

Sabendo disso, é possível dizer que a elaboração de um setting terapêutico pode ser realizada através de uma parceria entre arquiteto ou designer de interiores e o psicólogo. Assim será possível compor o espaço direcionado para os clientes que este costuma receber de acordo com a abordagem de trabalho utilizada pelo profissional.

No design de interiores também é estudado que cada ambiente é estruturado de acordo com o seu uso. Ambientes residenciais, comerciais, hospitalares e de hotéis possuem, cada um, uma forma de ser composto e também existem regras em cima disso. Então, além das regras estabelecidas em normas da ABNT, existem algumas sugestões de composições utilizadas e estudadas há muito tempo.

Dentre essas composições, existem diversos materiais e métodos que transmitem mensagens, assim como as cores, como pudemos ver no post sobre A Influência de Ambientes para Autistas aqui do blog. Os materiais a serem escolhidos para compor os ambientes terapêuticos precisam estar relacionados às mensagens relacionadas à terapia. As cores e os materiais amadeirados sempre se caracterizam por ACONCHEGO.

Projeto BADERMANN: Serviço de Terapia Antineoplásica HSL PUCRS | Porto Alegre | 2019

 Os espaços devem ser bem iluminados para elevar a ENERGIA do espaço, e todos os elementos de composição do design devem formar uma só unidade, trazendo HARMONIA.

Projeto BADERMANN: Serviço de Terapia Antineoplásica HSL PUCRS | Porto Alegre | 2019

Sempre que for possível, é muito importante que o ambiente estabeleça uma conexão direta com a natureza. Essa conexão pode ser dada através de grandes janelas, varandas ou até mesmo o uso de plantas como decoração no ambiente.

Projeto BADERMANN: Serviço de Terapia Antineoplásica HSL PUCRS | Porto Alegre | 2019

O ambiente terapêutico pode ainda distribuir aromas de acordo com a intenção e também disponibilizar cores. Uma das características mais importantes, é que esse ambiente seja mutável e que o terapeuta possa alterar seu layout e a composição de decoração quando quiser e da forma que quiser.

O mais importante é frisar que a composição dos espaços clínicos devem sempre priorizar a facilidade de higienização, principalmente no atual momento em que vivemos no mundo.

Esperamos que tenham gostado da “Sessão Arquitetura Acessível” dessa semana! E se você não viu os outros posts desse quadro, acesse o nosso blog e cheque essas e muitas outras publicações agora mesmo!!

REFERÊNCIAS

Psicologia e Arquitetura: o ambiente como mais um recurso na terapêutica infantil (badermannarquitetos.com.br)

 Espaços Terapêuticos | BADERMANN ARQUITETOS

O que é Setting Terapeutico ou Setting Analítico? – Psicanálise Clínica (psicanaliseclinica.com)

MOREIRA, Letícia Machado; ESTEVES, Cristiane Silva. Revisitando a teoria do setting terapêutico. Portal dos psicólogos, p. 1-8, 2012.

SANTOS, Juliana Marques Batista dos et al. A PSICOLOGIA FORA DO SETTING TERAPÊUTICO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. 2019.

Arquitetura, Uncategorized

Sessão Arquitetura Acessível: A Influência de Ambientes no Dia a Dia de Autistas

Há muito tempo existem diversos estudos sobre a influência que cores e espaços têm sobre os humanos. Mas através da pandemia, conforme passamos mais tempo em casa, temos a certeza do quanto isso é verdade.

Na arquitetura e urbanismo e no design de interiores sempre foi preciso que se pensasse no desenho para o cliente em específico. Isso se dá porque o ambiente precisa servir ao usuário sem que este não precise se adaptar a ele.

Este assunto está muito ligado principalmente ao Desenho Universal, assunto da nossa última Sessão de Arquitetura Acessível, se você não viu, clica AQUI! Então a partir disso, já é sabido que ambiente direcionado às crianças precisa ser projetado com tamanhos ideais para crianças e espaço para adultos, com tamanhos ideais para adultos. Mas além disso, as cores precisam ser escolhidas de acordo com as intenções de cada espaço. 

Portanto, esses aspectos devem ser considerados também, com ainda mais estudos, em ambientes para pessoas que possuem algum transtorno, como é o exemplo do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

CONTEXTUALIZAÇÃO – TRANSTORNO ESPECTRO AUTISTA (TEA)

Acredita-se que o transtorno representa um conjunto de síndromes. Essas síndromes afetam diretamente na comunicação e em suas habilidades (GAUDERER, 1993) e se manifestam de diferentes formas: podem falar sozinhas por muito tempo e não manter nenhum diálogo; podem ser insensíveis à dor; cinco sentidos muito aguçados; e entre outros sinais (MORAIS, 2012). É importante frisar, no entanto, que estes sinais não se manifestam obrigatoriamente em todos os autistas.

Já falamos no instagram do Busca Especial sobre a importância do diagnóstico precoce do TEA. Se você ainda não viu, por favor, clique AQUI!  E se ainda não segue a gente, aproveita e já siga! 😉

Através do diagnóstico precoce, os tratamentos podem ter resultados mais positivos e ajudar no desenvolvimento da criança. A escola também tem um grande papel no desenvolvimento da criança e não é diferente para com as crianças autistas. Entretanto, são poucas as escolas que se encontram preparadas atualmente para receber adequadamente este público.

Como mencionado anteriormente, devido aos 5 sentidos aguçados, é necessário que os ambientes sejam projetados considerando maneiras que venham a ajudar no dia a dia dos autistas. E se você sente que o seu lar está precisando ser adaptado, ao fim deste artigo separamos algumas dicas que podem ser colocadas em prática para melhorar o desenvolvimento do autista dentro de casa.

  • ACÚSTICA IDEAL

Para que a audição seja protegida, é preciso que a acústica dos ambientes sejam tratadas com atenção visando o mínimo de ruídos internos, externos, eco e reverberação (VERGARA, TRONCOSO, RODRIGUES, 2018).

Os materiais mais indicados para isolamento acústico interno são a madeira, cortiças e pisos emborrachados. Para o isolamento acústico externo, recomenda-se “o uso de paredes em alvenaria com uso de argamassa termoacústica ou divisórias duplas, com preenchimento interno para o isolamento acústico (LAUREANO, 2017).” (NAYADE, 2020).

  • ILUMINAÇÃO IDEAL

Os tipos de iluminação mais adequados para quem possui hipersensibilidade à luz são as lâmpadas halógenas, incandescentes e de LED, além da iluminação natural, é claro.

  • CONFORTO TÉRMICO IDEAL

É preciso priorizar a ventilação natural da edificação, entretanto, caso isso não seja possível, existe a possibilidade de se resolver com a ventilação artificial, entretanto o mais indicado seria o uso de eletrônico silencioso, como o ar condicionado.

  • DECORAÇÃO IDEAL

A posição dos móveis nos ambientes precisa estar de uma forma que não funcione como obstáculo e que possa permitir a movimentação do autista de forma independente. Conforme dito anteriormente, cada ambiente possui uma função e objetivo, e cada um deve ser decorado de forma a atingir este objetivo. 

Em conjunto com os móveis, as cores também possuem um papel muito importante na decoração. De acordo com o projeto, os ambientes podem acabar trazendo sensações para os usuários. Essas sensações variam de estresse à calmaria, felicidade, tristeza e a intenção é que os ambientes projetados para autistas sejam o mais calmo e simples possíveis.

As cores a serem evitadas de forma excessiva são as cores consideradas mais vibrantes e estimulantes (EVONLINE, 2015), como: vermelho, amarelo e laranja.

DICAS DE ADAPTAÇÃO

É importante saber que um Terapeuta Ocupacional especializado em Integração Sensorial vai poder te ajudar analisando o espaço que você já possui para que ele possa ser adaptado da melhor forma a partir da análise do que mais incomoda o paciente. Porém, vamos pontuar algumas medidas simples que podem ser tomadas, encontradas no blog Inspirados pelo Autismo, além das já mencionadas, e que já podem ajudar significativamente.

  1. Simplifique: os autistas são facilmente distraídos, portanto é importante que os estímulos sejam simplificados, limite a quantidade de sons, cheiros, texturas e sensações; em um ambiente em que ele(a) passe a maior parte do tempo, considere setorizar as áreas em que se deseja passar cada tipo de sensação.
  1. Paredes Limpas: evite usar quadros ou cartazes que não estejam atrelados às atividades que serão realizadas; prateleiras podem ajudar muito a armazenar objetos, e assim se pode ter um ambiente mais livre, sem obstáculos; 
  1. Móveis Úteis e Duradouros: é importante que se mantenha no quarto apenas o que for funcional e caso exista algum espaço a ser preenchido, este pode ser usado para abrigar equipamentos que venham a ajudar no desenvolvimento do autista, como: bolas de fisioterapia, rede ou balanço, mesa para atividades e interação.
  1. Espelhos: o espelho pode ser um grande aliado no desenvolvimento, este permite que o autista tenha maior consciência corporal; é importante observar a reação dele em relação ao objeto.
  1. Quadros de Rotina: com a visão clara do que será feito no dia ou na semana, a pessoa pode se sentir mais segura com a atividade que está por vir; considere representar as atividades com fotos ou desenhos, além da escrita.

Por mais que nesses tempos de pandemia e quarentena todos nós tivemos que nos adaptar, é importante frisar que nenhuma dessas adaptações substituem o tratamento e as terapias das quais a pessoa que possui TEA necessita. Por isso, é importante não suspender as terapias, mas procurar fazê-las de maneira mais segura e com constância, mesmo que à distância.

E essa foi mais uma Sessão Arquitetura Acessível do Busca Especial!

Agradecemos que você nos tenha acompanhado até aqui e esperamos que tenha gostado e que tenha ajudado! Se você conhece alguém que goste do assunto ou que este artigo possa vir a ajudar, compartilhe! 😀

*Para ajudar na elaboração deste artigo, foi utilizado o trabalho de conclusão de curso de Arquitetura e Urbanismo de Brunna Nayade que teve como tema um Anteprojeto Arquitetônico de Creche Pública Inclusiva para Crianças com Transtorno do Espectro Austista, em Boa Viagem, Recife/PE.

Blog

Autismo e a escola: a importância da educação inclusiva

O Autismo é um assunto que o Busca Especial tem muito carinho, destacando  a necessidade e a importância de ser comentado e debatido. Como o dia 02 de abril é o Dia Mundial de Conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), tanto nas nossas redes sociais quanto aqui no blog escolhemos abordar alguns temas relacionados ao assunto.

Neste post serão os seguintes pontos:

  • O que é o autismo?
  • Autismo e o contexto escolar
  • O que é uma educação inclusiva?
  • Parceria Família e Escola
  • Aprendizado pedagógico e autismo

O que é o autismo?

“O Transtorno de Espectro Autista (TEA) se caracteriza por dificuldades de comunicação e interação social e a presença de comportamentos neurotípicos como ações repetitivas ou restritas. Entretanto, esses traços, apesar de serem percebidos, possuem gravidade variável.”

Publicação Busca Especial

Justamente por essa variedade de comportamentos, foi adotado o termo espectro. Então, como todos nós que temos nossa singularidade, pessoas que estão diagnosticadas dentro do espectro não podem ser rotuladas, mas devem ser compreendidas e respeitadas em suas individualidades.

Autismo no contexto escolar

As atividades realizadas na primeira infância são de grande importância para o desenvolvimento da criança. Na fase escolar, o aprendizado fica ainda mais intenso. Para alguns alunos que estão no espectro o desafio pode ser ainda maior pelas dificuldades comportamentais, de comunicação e socialização.

No artigo do Instituto NeuroSaber sobre o desafio da inclusão do autismo no âmbito escolar, é levantado o ponto da individualidade de cada criança no qual o professor e toda a equipe só vão entender quais são as melhores abordagens durante a rotina escolar e com a prática pedagógica.

O que é uma educação inclusiva?

Educação inclusiva é o real esforço para a adaptação do ambiente escolar de acordo com as necessidades de cada aluno, para que assim seja garantido, além do aprendizado, o cumprimento do que está presente na lei e reforçado na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

“As pessoas com deficiência recebam o apoio necessário, no âmbito do sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação;”

Art. 24, 2, alínea d, do Decreto n° 6.949, de 25 de agosto de 2009

Esse apoio necessário, pode incluir a presença de um acompanhante ou cuidador escolar que ficará responsável por acompanhar o aluno com mais exclusividade, atividade que o professor não consegue fazer em uma sala com vários alunos. Apesar de ser garantido por lei, na prática, nem sempre acontece como alguns relatos que coletamos de familiares.

“A Escola é um novo meio para a criança. Além do ensino, a socialização tem um papel preponderante. O tempo que Kênio frequentou a escola foi muito significativo, posto que pôde conviver com diferenças tanto em termos de pessoas como de estrutura física dos lugares. No entanto, é importante ressaltar que, embora, muitos estudos tenham avançado daquela época (anos 1990 e anos 2000), ainda percebemos a dificuldade dos profissionais, dos alunos e até mesmo pais,  em relação ao trato, ensino e convivência”.

Ivalda Marinho, mãe de Kênio e psicóloga.

Parceria Família e Escola

“É importantíssima essa união entre escola, pais e o profissional que acompanha essa criança. Ao meu ver, é um trabalho multidisciplinar, sempre vai precisar um do outro, porque o que a criança aprende em casa, vai pra escola, o que a criança aprende na escola chega em casa.”

Aldair José, tio de Lucas e estudante de psicologia.

A família de Lucas (5 anos), que é apaixonado pelo ambiente escolar, ressalta a diferença que esse convívio proporciona ao aprendizado e desenvolvimento da criança. Não existe um lugar que esteja totalmente preparado para receber o aluno, mas apenas através de uma construção de forma gradativa, por meio de momentos de troca entre família, escola e equipe terapêutica. Além de um lugar de acolhimento e desenvolvimento para a criança, a escola também é um canal para difundir informação e diluir o preconceito.

Aprendizado pedagógico e autismo

No ambiente escolar, os alunos estão o tempo todo intencionalmente expostos aos estímulos adequados, de acordo com o planejamento pedagógico estabelecido. Tais estímulos são recebidos de formas diferentes por cada aluno. Para as crianças que estão dentro do espectro, a possibilidade de distração faz com que o aluno não obtenha a resposta desejada nas atividades propostas. O que pode ser um fator que diferencie ainda mais o ritmo de aprendizagem comparativo entre os colegas de sala.

Aqui citamos algumas abordagens que são voltadas para o desenvolvimento:

D.I.R.®/ Floortime™ – Segue os interesses da criança ao mesmo tempo em que a desafia a alcançar maior domínio das capacidades sociais, emocionais e intelectuais.

ABA – Trabalha no reforço dos comportamentos positivos.

Son-Rise Program® (SRP) – Privilegia a relação em detrimento do tratamento.

“Toda criança traz consigo o potencial para ser uma ótima criança. O nosso trabalho é criar um ambiente onde esse potencial possa expandir.”

Dr. Stanley Greenspan

Com essa provocação do Dr. Stanley Greenspan, psiquiatra e um dos criadores do método D.I.R.®/ Floortime™, ficamos com o questionamento: 

O que podemos fazer para criar o melhor ambiente para as crianças ao nosso redor, e, em especial, para todos que estão dentro do espectro.

Deixe aqui nos comentários a sua opinião.

Arquitetura

Sessão Arquitetura Acessível: Desenho Universal

Olá seguidores do Busca! Nesta semana vamos dar continuidade ao quadro Sessão Arquitetura Acessível. No último post, abordamos sobre a Norma Técnica Brasileira 9050/2015 que se refere às regras e parâmetros para serem seguidos garantindo a acessibilidade em edificações. Se você não sabe do que eu tô falando, pode clicar aqui, que você será redirecionado para este post 😀

E como mencionado, o conceito de Desenho Universal também está atrelado à acessibilidade, procurando garantir a inclusão não só de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, mas de “(…) todas as pessoas que vivem em sociedade.” (GABRILLI, 2007) e por isso, também é assunto neste quadro.

Este conceito surgiu após a Revolução Industrial, onde se via uma produção sendo realizada em massa e sem planejamento. Nessa produção faltava uma visão direcionada para a necessidade e forma de utilização destes produtos/imóveis pelos usuários finais. 

A partir disso, diversos países se juntaram para reinventar a forma de produção, no ano de 1961. Dentre esses países estavam o Japão, os Estados Unidos e alguns países da Europa, países característicos de produção em massa. Devido a essa reunião, em Washington no ano de 1963, surgiu “(…) uma comissão com o objetivo de discutir desenhos de equipamentos, edifícios e áreas urbanas adequados à utilização por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida”. Essa comissão se chamou Barrier Free Design.

Os principais aspectos a serem considerados na concepção de produtos ou projetos de edificações e de interiores são:

  1. Altura: da cabeça aos pés; o máximo alcance dos braços esticados; o alcance dos olhos do observador;
  2. Idade: percepção do espaço como adultos e crianças;
  3. Força/Destreza: máximo de esforço que o usuário pode aplicar para realizar alguma ação; produção específica para destros ou canhotos; e etc.

Somente em 1987, o termo Universal Design (Desenho Universal) foi criado pelo arquiteto Ron Mace, que usava cadeira de rosas e um respirador artificial. 

Arquiteto Ron Mace.

Ele então conseguiu reunir vários arquitetos e pessoas que defendiam as mesmas ideias para estabelecer princípios do conceito que podem ser seguidos para a elaboração de objetos visando sempre o acesso de uma grande massa àquele objeto e/ou espaço. Estes princípios serviriam para que pudessem ser “mundialmente adotados para qualquer programa de acessibilidade plena”. Ao todo são considerados 7 princípios, dentre eles: 

  1. Igualitário – Uso Equiparável: espaços, objetos e produtos que podem ser utilizados por pessoas com diferentes capacidades; 

EX.: Portas automáticas com sensores de presença que não exigem esforço físico dos usuários.

Desenho Universal, 2007.
  1. Adaptável  – Uso Flexível: design de produtos ou espaços que atendem pessoas com diferentes habilidades e diversas preferências, sendo adaptáveis para qualquer uso;

EX.: Computador com teclado e mouse ou com programa; e Tesoura que se adapta a destros e canhotos.

Desenho Universal, 2007.
  1. Óbvio – Uso Simples e Intuitivo: placas indicativas que facilitem o entendimento do espaço; 

EX.: Sanitários feminino e masculino e para pessoas com deficiência.

Desenho Universal, 2007.
  1. Conhecido – Informação de Fácil Percepção: mapas com informações também em alto relevo; 

EX.: Símbolos e letras em relevo, braille e sinalização auditiva.

Desenho Universal, 2007.
Desenho Universal, 2007.
  1. Seguro – Tolerante ao Erro: previsto para minimizar os riscos e possíveis conseqüências de ações acidentais involuntárias; 

EX.: Elevadores com sensores em diversas alturas.

Desenho Universal, 2007.
  1. Sem Esforço – Baixo Esforço Físico: para ser usado eficientemente, com conforto e com o mínimo de exigência de esforço físico); e 

EX.: Torneiras de sensor ou de alavanca; e Maçanetas tipo alavanca.

Desenho Universal, 2007.
Desenho Universal, 2007.
  1. Abrangente – Dimensão e Espaço para Aproximação e Uso: poltronas, cadeiras e banheiros com dimensões adequadas para obesos, cadeirantes e pessoas que estão com carrinho de bebê.

EX.: Poltronas para obesos em cinemas e teatros; Banheiros para cadeirantes ou com carrinhos de bebês.

Desenho Universal, 2007.
Desenho Universal, 2007.
  • LEGISLAÇÃO E DESENHO UNIVERSAL

É importante frisar que o conceito de Desenho Universal não surgiu em formato de lei, porém isso veio a acontecer no ano de 2004, no Brasil, a partir do Decreto Federal 5.296. No decreto há a definição do conceito como: “concepção de espaços, artefatos e produtos que visam atender simultaneamente todas as pessoas, com diferentes características antropométricas e sensoriais, de forma autônoma, segura e confortável, constituindo-se nos elementos ou soluções que compõem a acessibilidade”.

O decreto ainda enfatiza que para a sua aplicação, é necessário que os projetos tenham como “referências básicas as normas técnicas de acessibilidade da ABNT, a legislação específica e as regras contidas no Decreto(…)”.

Atrelando as regras da NBR 9050 com as propostas do conceito de Desenho Universal é possível criar ambientes inteiramente acessíveis. Tendo agora o conhecimento sobre o surgimento do conceito de acessibilidade e entendendo como ela é regida, podemos prosseguir com o nosso quadro abordando diferentes espaços acessíveis direcionados a diferentes usuários. Então fiquem atentos e aguardem pelo post da semana que vem! 

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Referências:

Desenho Universal: Um Conceito Para Todos, Mara Gabrilli (2007). Disponível em:<https://www.maragabrilli.com.br/wp-content/uploads/2016/01/universal_web-1.pdf> Acesso em 11 de abril de 2021.

Podcast

#Faixa Bônus – Como começou o Busca Especial?

Nosso podcast acaba de começar, mas a vontade de tornar esse um mundo melhor é antiga

Como você já sabe, o Busca Especial agora tem seu próprio podcast! E com ele pretendemos trazer uma série de informações relevantes sobre o universo da educação e da psicologia.

E, para situar você daquilo que o Busca Especial pretende abordar nessa primeira temporada, elaboramos um episódio introdutório contando um pouco da nossa história, do nosso propósito e sobre quais assuntos iremos tratar durante essa trajetória.

Você pode ouvi-lo aqui:

Confira a transcrição abaixo

Com mais de 30 anos de experiência na área de psicologia, especialista em psicologia clínica e psicopedagogia, diretora técnica do Busca Especial, Ivalda Marinho foi nossa primeira convidada.

Uma verdade só é acreditada quando a pessoa diz que reconhece como verdade

Ivalda Marinho

Dentre os assuntos abordados no podcast, destacamos duas questões: as mudanças na aplicação e na forma como são vistos os testes vocacionais atualmente e a lei que institui a presença dos serviços de psicologia na rede pública de educação básica.

Antes, por exemplo, o aluno fazia um teste que era voltado mais para sua personalidade, com o resultado dele, sua vida profissional praticamente estava traçada, mas a orientação vocacional de fato vai muito além. Essa orientação pode começar a partir do 9º ano e percorrer até o término do ensino médio. Esse é um processo que ajuda no autoconhecimento do aluno e a pensar sobre carreira de maneira que ela seja construída ao longo do tempo.

Outra questão levada em consideração foi a lei número 13.935/19 disponibilizada abaixo.  Em resumo, essa lei exige que as escolas públicas passem a ter serviço social e de psicologia. Ivalda refletiu sobre isso e compartilhou um pouco da sua visão acerca daquilo que acha interessante ser feito.

Art. 1º As redes públicas de educação básica contarão com serviços de psicologia e de serviço social para atender às necessidades e prioridades definidas pelas políticas de educação, por meio de equipes multiprofissionais.

§ 1º As equipes multiprofissionais deverão desenvolver ações para a melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem, com a participação da comunidade escolar, atuando na mediação das relações sociais e institucionais.

§ 2º O trabalho da equipe multiprofissional deverá considerar o projeto político-pedagógico das redes públicas de educação básica e dos seus estabelecimentos de ensino.

Mas, além disso, também houveram outros assuntos importantíssimos tratados nesse primeiro episódio. Então convido você a escutar e compartilhá-lo com alguém que irá se identificar.

Confira a transcrição abaixo
Blog

Aplicativos que você precisa conhecer para aprender Libras

Certamente você já ouviu falar de Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Já deve ter visto pessoas se comunicando usando essa língua. Pode até mesmo ter tentado aprender antes. A principal forma de comunicação e alfabetização de pessoas com deficiência auditiva é considerada a segunda língua oficial do Brasil desde 2002.

E sendo não somente uma fonte de inclusão e crescimento profissional, Libras contribui culturalmente e educacionalmente no meio coletivo do país e é, em si, uma forma de conscientização.

Se utilizando de gestos, expressões faciais e corporais para construir seu diálogo, essa língua é imprescindível ao meio que busca cada vez mais o bem-estar social e um coletivo mais unificado.

É por isso que existem diversos cursos, projetos, disciplinas e atualmente, aplicativos, no qual o ensino de Libras é realizado de forma didática e na grande maioria das vezes, gratuita. O Busca Especial pesquisou e trouxe uma lista com os melhores aplicativos totalmente gratuitos para você, que quer saber um pouco mais e pensa até mesmo em dominar essa língua.

Vamos lá?

1. Hand Talk Tradutor

Apresentando Hugo, um intérprete virtual 3D que não só traduz, mas também ensina Libras e ASL (Língua Americana de Sinais), o Hand Talk possui uma ótima avaliação no ranque das plataformas e está disponível tanto para Android quanto para iOS. 

O aplicativo disponibiliza vídeos ensinando Libras, com o Hugo auxiliando no processo, o que facilita a memorização e compreensão dos gestos. O Hand Talk também permite salvar conteúdos para serem usados futuramente. É mais indicado para quem já possui uma base da língua e quer compreender mais sobre seus processos.

2. Alfabeto LIBRAS

Para quem tá começando agora, esse é o ideal. O Alfabeto Libras trabalha com uma variedade de jogos tornando o aprendizado dinâmico e divertido. O aplicativo visa ensinar o alfabeto não somente para adultos, já que possui uma versão mais infantil, o que permite um trabalho inclusivo desde os primeiros anos. Ele está disponível também para o Android e iOS.

3. Librário: Libras para todos

Outro que ensina divertindo é o Librário. Com duas opções de jogos, o aplicativo possui 81 vídeos educativos mostrando como fazer o sinal de cada palavra do jogo. 

O objetivo do aplicativo é promover a integração entre surdos e ouvintes. É considerado um baralho da comunicação visual-motora. Também está disponível no Android e no iOS.

4. Jogo Quiz de Libras

Esse aplicativo é o mais completo entre os que já foram mencionados, ele promove o aprendizado por meio de questões de diversos níveis sobre o alfabeto e os números em Libras. O Quiz de Libras possui também um conjunto de imagens que facilitam no momento do aprendizado. Até o momento, ele só está disponível para Android.

5. Aitken -Aprender LIBRAS

O Aitken ainda está na fase BETA, o que significa que ainda não foi liberado para usuários, apenas para testes. O aplicativo se mostrou dinâmico e através de um modelo 3D como o Hand Talk, ele ensina Libras por temas variados, explorando cada temática como um pilar de compreensão da língua.

Agora que você já conhece algumas ferramentas para aprender Libras, que tal praticar?

Mas não dependa somente dos aplicativos, a internet é uma fonte de conteúdo repleta de oportunidades educativas voltadas ao ensino dessa língua. Canais no Youtube como o Libraspro, Letras-Libras UFRJ e Libras Pernambuco podem ajudar você nos estudos.

Também é possível fazer cursos gratuitos como o Introdução à Libras da EVG (Escola Virtual do Governo) ou o Língua Brasileira de Sinais da USP (Universidade de São Paulo).

Busque, aprenda e compartilhe essa língua que precisa cada vez mais de espaço no cotidiano brasileiro. Libras é fundamental para uma sociedade mais completa e inclusiva, seja você parte desse projeto humanizador de integração.

*Este post foi uma contribuição voluntária de Márcio Araújo dos Santos.

Márcio Araújo tem 23 anos, é formado em Comunicação Social – Jornalismo e atualmente cursa o técnico em Multimídias no ETE Porto Digital. Trabalha com produção de conteúdo desde a adolescência, atuando em diversos ramos. Busca na educação caminhos para beneficiar o meio em que vive e é um consumidor fervoroso de produções literárias de ficção e mangás.

Arquitetura

Sessão Arquitetura Acessível: NBR 9050

O Busca Especial sempre procura trazer informações pertinentes para enriquecer o conhecimento de cada um que busca ser melhor todos os dias. Por isso, a partir de hoje, o blog vai contar com uma “Sessão de Arquitetura Acessível”, onde traremos alguns parâmetros que devem ser seguidos para garantir o acesso e uso máximo do espaço pelo máximo de pessoas em espaços públicos e privados.

E para esse início, é imprescindível abordar a norma mais conhecida no Brasil, que estabelece regras e parâmetros para serem seguidos garantindo esse acesso ideal, a ABNT NBR 9050. Porém, vale salientar que existem inúmeras cartilhas que também propõem diversas formas de acessibilidade, que se estendem até para objetos. 

Na sua primeira publicação, em 1985, quando foi elaborada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a norma possuía o título: “Adequação das edificações e do mobiliário urbano à pessoa deficiente”. Entretanto, desde a 2ª revisão da Norma Técnica Brasileira (NBR), em 2004, essa recebe o título: “Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos”. 

A ABNT destaca que a norma “(…) visa proporcionar a utilização de maneira autônoma, independente e segura do ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos à maior quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção”. 

E para conseguir atender especificamente cada área que precisa de parâmetros acessíveis, a norma é organizada em categorias (capítulos): 

  1. Parâmetros Antropométricos;
  2. Informação e Sinalização; 
  3. Acessos e Circulação;
  4. Sanitários, Banheiros e Vestiários; 
  5. Mobiliário Urbano; 
  6. Mobiliário; e
  7. Equipamentos Urbanos;
  1. PARÂMETROS ANTROPOMÉTRICOS

Na norma, esta seção expõe as medidas consideradas para melhor instruir e delimitar os parâmetros mínimos a serem exigidos pela norma. As medidas consideradas são referentes aos extremos das medidas brasileiras, de mulheres de baixa estatura a homens de estatura elevada. 

Além disso, essas medidas consideradas são referentes às pessoas em pé e em cadeira de rodas (P.C.R.) (Figura 01).

Figura 01: Algumas medidas consideradas.

Fonte: ABNT NBR 9050 (2020);
  1. INFORMAÇÃO E SINALIZAÇÃO

Nessa seção são apresentados os tipos de comunicação necessários para garantir a acessibilidade.

  • Informação: É preciso que as informações a serem repassadas sejam sempre objetivas e não deem possibilidade de ambiguidade no seu entendimento. É preciso também que as suas transmissões sejam realizadas por meio de sinalizações visuais, táteis e sonoras, sendo usados, no mínimo, dois sentidos simultaneamente (visual e tátil ou visual e sonoro).
  • Sinalização: A norma classifica os sinais como: de localização (orientação); de advertência (alerta antecedente a uma instrução); e de instrução (ação em rotas de fuga ou situações de risco). Esses sinais ainda podem ser usados sozinhos ou combinados, apresentando-se em linguagem visual, tátil e/ou sonora.
  • Símbolos: São classificados em: Símbolo Internacional de Acesso – SIA (Figura 02); Símbolo internacional de pessoas com deficiência visual (Figura 03); Símbolo Internacional de pessoas com deficiência auditiva (Figura 04); Símbolos complementares (atendimento preferencial, pessoa com deficiência visual acompanhada de cão-guia, sanitário, circulação, comunicação).

Figura 02: Símbolo Internacional de Acesso.

Fonte: ABNT NBR 9050 (2020);

Figura 03: Símbolo Internacional de Pessoas com Deficiência Visual.

Fonte: ABNT NBR 9050 (2020);

Figura 04: Símbolo Internacional de Pessoas com Deficiência Visual.

Fonte: ABNT NBR 9050 (2020);
  • Aplicações Essenciais de Símbolos: Sinalização de portas e passagens; de planos e mapas acessíveis; de pavimento; de degraus; de elevadores e plataformas elevatórias; e sinalização tátil e visual no piso (ABNT NBR 16537).
  • Sinalização de Emergência: Sinalização de área de resgate, de espaço reservado para P.C.R. e de vaga reservada para veículo.
  • Alarmes: Todo alarme deve estar de acordo com a ABNT NBR IEC 60529 e pode ser combinado com o uso de sinais de localização, de advertência e de instrução mencionados anteriormente. Os alarmes também possuem aplicações essenciais, como: alarme de emergência para sanitário (para pedido de ajuda); de saída de garagem em passeio público; sinais sonoros ou vibratórios em semáforos (localização, advertência e instrução).
  1. ACESSOS E CIRCULAÇÃO

Essa seção da norma expõe requisitos necessários para garantir a acessibilidade nos acessos e circulação. A norma separa essa seção em: 

  • Rota Acessível: caminho bem iluminado e projetado que faz a ligação de ambientes internos e externos sem obstáculos para priorizar a independência de todas as pessoas;
  • Acessos – condições gerais: deve ser ligada pela rota acessível às circulações principais e de emergência;
  • Circulação – piso: uso de revestimentos firmes e regulares, adoção de inclinação e desníveis adequados; 
  • Rota de fuga e área de resgate – condições gerais: a norma destaca que essas áreas devem atender às regras expostas na “ABNT NBR 9077 e outras regulamentações locais contra incêndio e pânico;
  • Área de descanso: essas áreas precisam possibilitar a manobra de cadeiras de roda, assim como apresentar bancos com encosto e braços;
  • Rampas: devem ser respeitados os limites máximos de inclinação de acordo com o dimensionamento e os desníveis de cada uma. A norma estabelece uma fórmula para o cálculo da inclinação: i = h x 100/c, onde i corresponde à inclinação que possui como unidade a porcentagem (%); h é a altura do desnível; e c é o comprimento da rampa na projeção horizontal;
  • Degraus e escadas fixas em rotas acessíveis: nesses casos não é possível fazer o uso de escadas fixas com espelhos de degrau vazados e tanto o piso (largura), quanto o espelho (altura) do degrau devem atender a medidas mínimas e máximas (Figura 05);

Figura 05: Altura e largura do degrau.

Fonte: ABNT NBR 9050 (2020);
  • Escadas: sequência de três degraus ou mais, com dimensionamentos entre as opções a seguir:

 a) 0,63 m ≤ p + 2e ≤ 0,65 m,  

b) pisos (p): 0,28 m ≤ p ≤ 0,32 m e  

c) espelhos (e): 0,16m ≤ e ≤ 0,18 m;

  • Corrimãos e guarda-corpos (Figura 06): devem ser sinalizados conforme seção 5 – Informação e Sinalização da norma. Os guarda-corpos devem atender a ABNT NBR 9077 E 14718. Já os corrimãos devem atender a seção 4 – Parâmetros Antropométricos no tópico 4.6.5 – Empunhadura.

Figura 06: Corrimãos em escada e rampa.

Fonte: ABNT NBR 9050 (2020);
  • Equipamentos eletromecânicos de circulação e suas sinalizações: elevadores verticais ou inclinados, plataforma de elevação vertical/inclinada, esteira rolante horizontal ou inclinada, escada rolante e escada rolante com degrau para cadeira de rodas;
  • Circulação interna: dimensões e sinalização de corredores, portas e janelas.
  • Circulação externa: calçadas e vias exclusivas de pedestres (Figura 07);

Figura 07: Faixas de uso da calçada – corte.

Fonte: ABNT NBR 9050 (2020);
  • Passarelas de pedestres: devem possuir rampas, escadas e elevadores ou dois destes simultaneamente, suas larguras devem atender a quantidade de pedestres estimada;
  • Vagas reservadas para veículos: veículos que tenham como passageiro ou motorista idosos, e veículos que tenham como passageiro ou motorista pessoas com deficiência; e 
  • Portões de acesso a garagens: a superfície de abertura do portão não pode de forma alguma invadir a faixa livre de circulação da calçada;
  1. SANITÁRIOS, BANHEIROS E VESTIÁRIOS

Já nesta seção, existem diversos pontos relevantes a serem destacados. Para que sanitários, banheiros e vestiários sejam considerados acessíveis é preciso que atendam às regras de medidas/quantidades mínimas e máximas, localização, dimensões de boxes, peças, acessórios, desníveis e características de piso e entre outros.

Estes ambientes acessíveis devem estar localizados em rotas principais e é recomendado que a distância máxima que o usuário deve percorrer de onde estiver até esses ambientes não seja maior que 50 metros.

A norma ainda expõe desenhos modelos a serem seguidos como uma forma de facilitar a visualização da aplicação das regras expostas (Figuras 08, 09 e 10).

Figura 08: Áreas de transferência e manobra para o uso da bacia sanitária.

Fonte: ABNT NBR 9050 (2020);

Figura 09: Áreas de aproximação para uso do lavatório.

Fonte: ABNT NBR 9050 (2020);

Figura 10: Medidas mínimas de um sanitário acessível.

Fonte: ABNT NBR 9050 (2020);

Outras medidas mais especificas relacionadas a alturas das peças e distanciamento entre essas podem ser encontradas na seção 7 da ABNT NBR 9050, referente a Sanitários, Banheiros e Vestiários, das páginas 82 a 112.

  1. MOBILIÁRIO URBANO

Esta seção da norma expõe normas específicas para mobiliários urbanos, como: pontos de embarque e desembarque de transporte público; semáforo de pedestre; telefones públicos; cabinas telefônicas; bebedouros; lixeiras e contentores para reciclados; cabinas de sanitários públicos; ornamentação da paisagem e ambientação urbana (vegetação); e assentos públicos.

As respectivas medidas podem ser encontradas na seção 8 da norma, das páginas 112 a 116. 

  1. MOBILIÁRIO

A norma recomenda que todo o mobiliário esteja de acordo com os princípios do conceito de Desenho Universal. Este conceito surgiu em 1987 através do arquiteto americano e cadeirante, Ronald Mace, que tinha como objetivo estabelecer padrões a serem seguidos para a elaboração de objetos acessíveis.

Este conceito ainda apresenta 7 princípios: ”Igualitário (para pessoas com diferentes capacidades); Adaptável (com leque amplo de preferências e habilidades); Óbvio (fácil de entender); Conhecido (comunica eficazmente a informação necessária); Seguro (que diminui riscos de ações involuntárias); Sem Esforço (com pouca exigência de esforço físico); e Abrangente (tamanho e espaço para o acesso e o uso)” (GABRILLI, 2008).

A norma orienta a elaboração de projeto de mobiliários, como: balcão, bilheterias e balcões de informação; mesas ou superfícies (Figura 11); e equipamentos de controle de acesso e máquinas de autoatendimento;

Figura 11: Mesa – Medidas e área de aproximação.

Fonte: ABNT NBR 9050 (2020);

Para ter informações mais direcionadas sobre os mobiliários, é possível encontrá-las na seção 9 da norma, das páginas 116 a 120.

  1. EQUIPAMENTOS URBANOS

Também é recomendado pela norma que todo o equipamento urbano esteja de acordo com os princípios do conceito de Desenho Universal. E dentre os equipamentos urbanos considerados pela NBR 9050, estão desde bens tombados; cinemas, teatros, auditórios e similares a restaurantes, refeitórios, bares e similares; locais de hospedagem; serviços de saúde; locais de esporte, lazer e turismo; piscinas; e entre muitos outros equipamentos urbanos.

Para ter informações mais direcionadas sobre cada equipamento urbano desejado, é possível encontrá-las na seção 10 da norma, das páginas 120 a 137.

Para se aprofundar melhor no estudo sobre a ABNT NBR 9050, a revisão mais recente da norma foi postada em 2020 e corrigida em 2021 (5ª ed.), portanto é a que foi usada neste artigo. A ABNT tem como meta que a cada 5 anos seja feita uma nova revisão, assim, a previsão é que em 2025 teremos mais uma revisão da norma e espera-se que possa ter se ampliado por mais e mais áreas. 

Na nossa próxima publicação da Sessão Arquitetura Acessível vamos abordar o conceito de Desenho Universal que também está atrelado à acessibilidade. Fique atento às nossas redes sociais no Instagram e no Facebook para ficar sabendo assim que o artigo for postado. E enquanto você espera, você pode aproveitar nossos conteúdos de lá!

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Referências

Como e quando surgiu a ABNT NBR 9050? Disponível: https://guiaderodas.com/nbr-9050-norma-de-acessibilidade/#:~:text=Acessibilidade%20no%20Brasil&text=A%20NBR%209050%20foi%20publicada,mobilidade%20e%20percep%C3%A7%C3%A3o%20do%20ambiente. Acesso em 15 de mar. de 2021. 

ABNT NBR 9050 (2020). Disponível em: https://www.caurn.gov.br/wp-content/uploads/2020/08/ABNT-NBR-9050-15-Acessibilidade-emenda-1_-03-08-2020.pdf Acesso em 15 de mar. de 2021.