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Para você, o que é o amor?

Para Bauman (2004, p.  21) “Amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas.”

Iniciar com um crítico do amor na modernidade, é colocar em jogo o quanto as relações estão diferentes, a pandemia estendeu muito esse olhar.

No dia de hoje a comemoração fica para os namorados e para os que não namoram também. A intenção é que se sintam ‘enamorados’ no dia de hoje, que seja possível amar sozinho e acompanhado, e curtir um sábado da melhor forma possível. Hoje vamos recomendar maneiras de curtir em casa, para quem tá namorando e para solteiros. 

Resolvi começar pelo time que estou atualmente, o time das solteiras. E estando solteira ou namorando, o importante é cultivar o amor próprio. Quando li o poema Amar de Carlos Drummond de Andrade (destaco o trecho abaixo). Me deparo como somos seres de amor, seja amor pela natureza, pelos animais, amor de amigos, amor próprio e toda forma de amor e de amar. E vamos amando.

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Carlos Drummond de Andrade

Como eu imagino que muita gente gostaria de sair e curtir esse sábado, e por sua saúde e pela saúde coletiva, ficar em casa é a melhor escolha, eu te sugiro:

  • Uma boa chamada de vídeo com os amigos, assim vocês matam a saudade e colocam o papo em dia;
  • Aproveitar a família, os pets, as plantinhas;
  • Assistir um bom filme e aproveitar sua companhia incrível;
  • Um SPA Day em casa, cheio de pepino nos olhos e unhas belíssimas;
  • Aprender uma receita nova;
  • Ler um novo livro ou voltar a ler aquele que tá lá pela metade;

Para quem quer dançar a valsa dos namorados de Diana, o namoro pode ser comemorado de maneiras muito legais:

  • Pra quem mora junto, passar um tempo juntos, seja cozinhar ou fazer arte, pode ser muito legal;
  • Fazer uma decoração nova;
  • Pedir um delivery e curtir a companhia;
  • Maratonar uma série;
  • Assistir aquele filme que está na lista.

Quando penso em namoro, automaticamente me vem o amor, o amor logo me remete a poesia. Vinicius me derrete com soneto de amor do amor total e soneto de fidelidade. Coloca uma poesia no cartão e é só sucesso.

Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Moraes

Para Cerqueira e Da Rocha (2018), a demanda de relacionamentos amorosos são facilmente comparados com a busca por felicidade, de forma que traria a completude. Estar num relacionamento pode ser sonho de uns e de outros não. O importante é que cada um faça suas escolhas quanto a sua vida amorosa e que isso promova felicidade. E lembre-se: não cabe julgar ou comparar a vida amorosa, são questões subjetivas.

Referências: 

Cerqueira, IC; Da Rocha, FN. Amor e relacionamentos amorosos no olhar da psicologia. Revista Mosaico. 2018 Jul./Dez.; 09 (2): 10-17

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O papel da família na educação dos filhos

Por Bárbara Pacífico

Pensar no papel dos pais na educação dos filhos é idealizar pais presentes também no ambiente escolar, contribuindo com a aprendizagem e promovendo uma boa educação no âmbito familiar. A família, como primeira instituição social, dá a base para os enfrentamentos sociais da criança, ou seja, insere as elaborações iniciais da vida. Velasquez traz a ideia de que “A personalidade da criança e do adolescente se estrutura e molda essencialmente no meio familiar. Os pais, responsáveis pela educação e orientação de seus filhos, devem assumir o seu papel e, além de oferecer amor, impor limites a seus descendentes.”

No contexto da pandemia, a maneira de conduzir a educação escolar foi redimensionada, os ambientes de casa e escola em dados momentos se fundem. Estimular as crianças, participar das atividades escolares, observar as aulas, participar das reuniões, conhecer seu filho quanto educando, puderam ser vistas de um novo ângulo. Souza (2020), discute bem que “no  período  da  pandemia,  novas  relações  afetivas  e  profissionais  foram  criadas  e  ressignificadas, muitas  pessoas  passaram  a  trabalhar  remotamente;  famílias  passaram  a  conviver  cotidianamente  com vários conflitos.” É importante entender as responsabilidades cabíveis aos filhos e à escola, a inserção da educação em casa forma o caráter e enfatiza as relações na escola, isso implica dizer, que a base da educação se faz no ambiente familiar.

Contexto histórico

Antes do século XVII, os valores e os conhecimentos relacionados às práticas profissionais e morais eram apreendidas em sua maioria, no seio dos grupos familiares. A partir do século XVII, com a origem das cidades modernas, a instituição escolar ganhou importância e passou a ser vista como uma continuação da educação familiar. No Brasil, essa crescente preocupação em instruir e educar as massas populares, para garantir o progresso e o desenvolvimento da nação, se iniciou no século XIX. Desde o início do século XX, a preocupação em aproximar as famílias da instituição escolar já existia. 

Funções Família e Escola

Oliveira (2003) afirma que a família é o primeiro meio de socialização da criança, dentre as suas principais funções está a “função educacional”, responsável por transmitir valores e padrões culturais da sociedade. Como função da escola, Polonia e Dessen (2005) concluem que “a escola deve visar não apenas a apreensão do conteúdo, mas ir além, buscando a formação de um cidadão inserido, crítico e agente de transformação, já que é um espaço privilegiado para o desenvolvimento das ideias, crenças e valores”. 

A separação das funções é importante para entender quais os papéis das instituições na educação dos filhos, tendo em vista que atualmente ocorrem questões de ambivalência entre a escola e a família. Rosa (2020) muito bem coloca que a relação entre a família e a escola é uma relação onde uma depende da outra, ressaltamos assim a necessidade de uma colaboração das duas partes em relação à imposição de limites, ao convívio social, à formação do indivíduo, à partilha de valores, além das questões pedagógicas.

A psicóloga Jordana de Castro Balduino discute a ideia dos papéis da escola e da família referente à educação, onde todas as questões são levadas em consideração, desde a escolha de uma escola que corresponda às necessidades, quanto a disponibilidade desse compartilhamento. Relembra que sempre que for pensar na escola, é importante fazer tais questionamentos: 

· Estou ensinando o meu filho a respeitar as regras da sociedade e em especial da sua escola?

· Tenho dado autoridade à escola para contribuir de fato na educação do meu filho?

· Qual a importância do professor na sua vida?

· Na medida do possível tenho participado das atividades da escola?

Pandemia: rotina e desafios

Com o distanciamento social imposto pela pandemia, rotinas foram reinventadas, novos comportamentos e demandas surgiram para as famílias e para a escola. Foi preciso criar adaptações para não paralisar as atividades e não interferir negativamente no desenvolvimento da aprendizagem. A Sociedade Brasileira de Pediatria (2020) traz pontos de como essa nova dinâmica pode causar estresse na vida das pessoas. Com isso, fornece algumas dicas importantes para os pais nesse momento de pandemia: 

  • Os adultos devem realizar momentos de diálogo para discussão das atividades prioritárias do dia a dia, das necessidades básicas da casa, da divisão de tarefas e obrigações. Deve-se organizar os horários do trabalho de cada um dos pais, tentando intercalar os períodos para os demais afazeres da casa e das crianças.
  • Dar abertura para que eles possam expressar seus sentimentos e suas dúvidas em um ambiente acolhedor e de apoio mútuo.
  • Realizar o planejamento de agenda dos filhos juntamente com eles, incentivando-os a organizar horários equilibrados para manter as atividades de brincadeiras, estudo, leitura, música, atividade física, sono e tempo de tela, respeitando os limites da rotina saudável.
  • Intercalar períodos de atividades físicas dentro do lar em mais de um horário do dia nos turnos da manhã e da tarde e, se possível, fazer as atividades em conjunto pais e filhos. Estimular a criança e o adolescente a ser criativo para realizar essas atividades em casa que podem ser de circuitos feitos com travesseiros e garrafas plásticas, pular corda, dançar, artes marciais dentre outros.
  • Usar a tecnologia a favor de todos. Definir com as crianças os horários para o uso saudável das telas, segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, evitando ultrapassar os limites e o acesso sem supervisão a conteúdos inadequados.
  • Inserir as crianças e adolescentes nas tarefas domésticas respeitando a capacidade de acordo com a idade de cada um. Incentivar o ensino colaborativo supervisionado enquanto realizar essas atividades e aproveitar para ensinar afazeres de forma alegre e prazerosa, pois isso pode trazer grande aprendizado para a criança e adolescente.
  • Incluir na agenda pausas durante o dia para que a família possa estar unida de forma alegre e prazerosa. Tente realizar as refeições junto com as crianças abordando temas construtivos. Praticar as técnicas de atenção plena e de relaxamento.
  • Seja você o modelo de comportamento que espera de seus filhos. Portanto, os pais devem evitar excesso de tela, manter o lar harmonioso e demonstrar de forma assertiva e genuína como lidar com equilíbrio com essa situação adversa só traz benefícios na construção de um cérebro saudável na infância. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2020)

Recomendação de leitura: PAIS E FILHOS EM DISTANCIAMENTO SOCIAL <https://www2.ufjf.br/siassgv/wp-content/uploads/sites/107/2020/08/cartilha.pdf&gt;

Referências:

POLONIA, Ana da Costa; DESSEN, Maria Auxiliadora. Em busca de uma compreensão das relações entre família escola. Psicol. Esc. Educ. (Impr.), Campinas, v. 9, n. 2, p. 303-312, dez. 2005. 

ROSA, Luciana de Fatima da. Relação família e escola: as contribuições no desempenho escolar de alunos nos anos iniciais. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) – Faculdade de Ensino Superior do Centro do Paraná, Pitanga, 2019.

OLIVEIRA, PÉRSIO SANTOS DE. Introdução à sociologia da educação. 03.ed. São Paulo: Ática, 2003.

GONÇALVES, Alexandra; RIBEIRO, Célia. O papel dos pais na escolarização dos filhos com perturbação da aprendizagem específica com défice na leitura. Gestão e Desenvolvimento, n. 24, p. 213-230, 2016.

http://www.minutopsicologia.com.br/postagens/2016/07/24/familia-e-escola-uma-relacao-necessaria/