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Dezembro Vermelho: você conhece o mês de combate à Aids?

O primeiro dia do último mês do ano é marcado pela lembrança da luta contra a Aids. A data simboliza a solidariedade, compreensão e respeito às pessoas que convivem com o HIV/Aids no mundo. Tudo começou em 1987, quando a Organização das Nações Unidas (ONU), em apoio à decisão da Assembléia Mundial de Saúde, estabeleceu essa data como marco de luta e conscientização. 

A história da Aids teve início em meados de 1981, quando os primeiros casos da doença foram relatados pelo Centro de Controle  e Prevenção de Doenças (CDC – USA). No início, pouco se sabia sobre a origem e não havia tratamento, causando bastante estigma social, sobretudo para a população LGBTQIA+. Posteriormente, com estudos, foi descoberto que a doença era causada por um vírus que ataca células do sistema imunológico (nossa defesa), causando imunocomprometimento e deixando o indivíduo sujeito a infecções oportunistas. 

Apesar disso, nas décadas de 1980 e 1990, ainda não existia tratamento e o HIV tornou-se uma pandemia, levando à morte de milhares de pessoas. Somente em 1996 foi introduzida a terapia com alguns medicamentos antirretrovirais. De lá até cá muita coisa mudou, mas o HIV ainda é um problema de saúde pública e, como tal, precisa ser combatido.

Mas qual é a importância?

O primeiro passo para superar um problema é compreender a real situação e estabelecer estratégias. Na saúde pública não é diferente e diversas medidas de visibilidade e prevenção já vêm sendo realizadas ao longo dos anos.

Já parou para pensar quantas pessoas vivem hoje com o HIV? Segundo estimativas do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV /AIDS (UNAIDS) a estimativa é de que cerca de 36,7 milhões de pessoas vivam com HIV no mundo. Todo ano há cerca de novos 2,1 milhões de novos casos e 1,1 milhão de mortes. As novas infecções diárias giram em torno de 5.700 por dia no mundo, acontecendo principalmente em regiões de pobreza, como a África Subsaariana.

E o Brasil? Em nosso país, segundo informações do Ministério da Saúde (MS), cerca de  920 mil pessoas vivem com HIV. Deste total, a grande maioria faz tratamento com medicamentos que evitam a multiplicação do HIV e, assim, não transmitem a doença por via sexual. É importante destacar que todo o tratamento é feito gratuitamente pelo  Sistema Único de Saúde (SUS)

Fonte: Ministério da Saúde

Afinal de contas, o que é a AIDS?  É a mesma coisa que HIV? Como ocorre a transmissão? 

Muitas pessoas têm dúvidas sobre o HIV e a Aids, pensando, inclusive, que ambos são a mesma coisa. Para entender melhor o tema, vamos “dar nomes aos bois”. O HIV é uma sigla para vírus da imunodeficiência humana. Esse vírus ataca nossos linfócitos, que são algumas de  nossas células do sistema imunológico (nossa defesa natural contra as doenças). O HIV pode ser assintomático por um longo período e caso o indivíduo com HIV não realize o tratamento, esse ataque ao longo do tempo acaba nos deixando com uma grave deficiência em nossas defesas do sistema imunológico. Esse estágio avançado de infecção pelo HIV é chamado de Aids, que significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (esse processo que acabei de explicar). A aids é um estado de vulnerabilidade imunológica em que o indivíduo está sujeito a diversos tipos de infecções que se aproveitam deste momento de fraqueza, por isso as chamamos de infecções oportunistas. Em resumo: HIV é um vírus que infecta nosso sistema de defesa de forma assintomática (sem sintomas) por um bom tempo e que, sem tratamento, pode evoluir para um estado avançado de comprometimento do sistema de defesa: a Aids.  Agora ficou mais claro?

Fonte: HILAB, 2021

Mas como ocorre  a transmissão? Acontece principalmente por meio de relações sexuais sem proteção (sem preservativo). Embora seja a forma mais comum, há outras que precisamos lembrar: transfusão de sangue contaminado ou da mãe para o filho durante a gravidez e a amamentação (se não tomados os devidoscuidados). 

Prevenção é a melhor estratégia

Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=QsnFDyrZKFw

“Prevenir é melhor que remediar”. Esse ditado popular se aplica bastante ao HIV/Aids. Hoje, entendemos que não existe apenas uma forma de prevenir o HIV, mas sim várias. Por isso, usamos o conceito de prevenção combinada, que nada mais é do que um conjunto de medidas que juntas potencializam a prevenção em diferentes níveis e de forma a atender as necessidades de cada pessoa. Esse tipo de prevenção envolve questões como informação (como essa postagem), testagem (diagnóstico), uso de preservativo, tratamento e profilaxia (pré e pós). 

Fonte: Ministério da Saúde

Um dos métodos mais conhecidos e efetivos é, sem dúvidas, o uso de preservativo (camisinha masculina e feminina). É um método barato, acessível e prático para prevenção não só do HIV, mas de outras ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), como a sífilis e gonorreia. Além, claro, de prevenir a gravidez. 

Fonte: Ministério da Saúde

Outro ponto importante é a testagem, que nos ajuda no diagnóstico. No Brasil, existem dois tipos de testes: os exames laboratoriais e os testes rápidos. Os testes rápidos são práticos e de fácil execução, além de poderem ser realizados com a coleta de uma gota de sangue ou com fluido oral e fornecem o resultado em, no máximo, 30 minutos. Hoje, em nosso país, cerca de  135 mil pessoas vivem com HIV e não sabem. Por isso, a testagem é tão importante, uma vez que o diagnóstico precoce proporciona um melhor tratamento. É importante lembrar que tanto o teste como os preservativos são disponibilizados pelo SUS gratuitamente. 

Outras estratégias também disponíveis no SUS são a  PEP (Profilaxia Pós-Exposição), que é uma estratégia de prevenção de urgência,  e a PREP (Profilaxia Pré-Exposição de Risco),  que consiste no uso preventivo de medicamentos antirretrovirais antes da exposição ao vírus, reduzindo a probabilidade de infecção pelo HIV.

O papel do SUS no combate à Aids

O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos responsáveis por um dos melhores programas de combate ao HIV/Aids do mundo. Em 1996, por meio da política de distribuição gratuita de medicamentos, foi possível reduzir a velocidade de disseminação da epidemia do HIV. Segundo o Dr. Drauzio Varella, “se não tivesse adotado essa política, hoje, ao invés de 860 mil, o Brasil teria 18 milhões de brasileiros com HIV – mais ou menos a mesma prevalência da África do Sul”. Assim, vemos o quão importante é o SUS no combate à Aids, uma vez que atua na prevenção, tratamento e seguimento dos pacientes de forma gratuita. Defendê-lo é vital para o combate ao HIV/Aids. 

Referências bibliográficas

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de Risco à Infecção pelo HIV. Brasília: Ministério da Saúde, 2018

BARROS, Nathalia Batista; GUIMARÃES, Celma Martins; DE SOUSA BORGES, Ohary. Políticas de Saúde e Prevenção ao Hiv/Aids no Brasil 1982-2012. Revista EVS-Revista de Ciências Ambientais e Saúde, v. 39, n. 4, p. 537-546, 2012.

MONTEIRO, Simone Souza et al. Desafios do tratamento como prevenção do HIV no Brasil: uma análise a partir da literatura sobre testagem. Ciência & Saúde Coletiva, v. 24, p. 1793-1807, 2019.

Ministério da Saúde. Aids / HIV: o que é, causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção. Disponível em: <https://antigo.saude.gov.br/saude-de-a-z/aids-hiv>. Acesso em 29 de Nov 2021.

PEDMED. Dia Mundial da Luta contra a AIDS: vamos relembrar os avanços?. 2020.  Disponível em: <https://pebmed.com.br/dia-mundial-da-luta-contra-a-aids-vamos-relembrar-os-avancos/#0>Acesso em 30 de Novembro de 2021;

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