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Câncer de mama: o que toda mulher precisa saber?

Por Samuel Nobre

O que é outubro rosa e qual sua ligação com o câncer de mama?

Com a chegada do mês de outubro, é bastante comum ouvirmos falar sobre o tão famoso outubro rosa. É nesse mês que organizações sociais e de saúde nacionais e internacionais, por meio dos veículos de comunicação, dedicam boa parte do tempo falando sobre a saúde da mulher, mais especificamente sobre prevenção ao câncer de mama.  Esse movimento tem o objetivo de  compartilhar informações, recomendações e promover a conscientização da mulher sobre sua saúde e, assim, reduzir a incidência e mortalidade por essa doença. 

Por que falar do câncer de mama? 

Essa é uma pergunta importante e central no debate do Outubro Rosa. A resposta está nas estatísticas de saúde, ou melhor, nos números sobre a saúde e a mortalidade das mulheres. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres no Brasil, havendo poucas exceções em que o câncer de colo uterino está mais presente. Mas essa não é a realidade apenas do Brasil. No mundo, o câncer de mama está no topo entre todos os cânceres que acometem mulheres. Para o ano de 2020 foram estimados cerca de 2,3 milhões de novos  casos no mundo, o que representou  24,5% de todos os tipos de neoplasias diagnosticadas nas mulheres. Focando na realidade do Brasil, temos que  foram estimados cerca de 66.280 casos novos de câncer de mama em 2021, representando um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres.

Fonte: INCA, 2021

Afinal de contas, o que é o câncer de mama?

Câncer é o nome genérico que damos a um número enorme de doenças que têm em comum o crescimento desorganizado das células. O problema deste crescimento descontrolado é que ele pode resultar na invasão de órgãos e sistemas, prejudicando sua função e  sendo potencialmente nocivo ao equilíbrio da nossa saúde. No caso de hoje, estamos falando da proliferação anormal, ou seja, crescimento desorganizado e acelerado de células que estão localizadas na mama, daí o nome câncer de mama. Ficou mais claro agora? 

Fatores de risco para o câncer de mama

Assim como muitas outras doenças, o câncer não está ligado apenas a uma condição, mas sim a várias. É uma condição  multifatorial, ou seja, está relacionada a muitas variáveis que englobam questões comportamentais, genéticas, hormonais, ambientais e outras. Então, que tal olharmos alguns fatores de risco para o surgimento do câncer de mama? 

Fonte: INCA, 2021

Sinais e sintomas do câncer de mama

Existem alguns sinais e sintomas que as mulheres precisam ficar atentas, pois podem indicar a presença do câncer de mama. É importante ressaltar: essas alterações precisam ser investigadas com a ajuda de um profissional da saúde o quanto antes. Mesmo assim, ter um desses sinais e sintomas não significa que você tenha câncer, apenas que precisa procurar ajuda qualificada.  A seguir, temos um resumo das principais alterações.

A importância dos exames de rastreio e do diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce significa descobrir a doença em estágios iniciais, ou seja, quando a doença está localizada na mama e não comprometeu outros órgãos e sistemas. Assim, aumentam as chances de um tratamento bem sucedido e cura.  Dentre todos os métodos disponíveis, o único que apresenta comprovação de reduzir a mortalidade  é a mamografia, quando bem indicada. Segundo o Ministério da Saúde, a recomendação é de que mulheres a partir dos 50 anos até 69 anos realizem periodicamente a mamografia a cada 2 anos (bienal).

No entanto, há mulheres consideradas de alto risco para desenvolvimento de câncer. Nesses casos, o rastreamento com mamografia começa a partir dos 35 anos e de forma anual.  Mas que mulheres são consideradas de alto risco? A seguir, temos um breve resumo: 

  • Paciente com história de familiar de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com câncer de mama antes dos 50 anos; 
  • Paciente com história de familiar de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com câncer de ovário em qualquer idade; 
  • Paciente com história de familiar de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com câncer de mama bilateral em qualquer idade; 
  • Paciente com história de familiar com câncer de mama masculino; 
  • História pessoal de biópsia mamária com lesões proliferativas, com atipias ou carcinoma lobular in situ

O autoexame  das mamas ainda é indicado? 

É uma pergunta comum e relevante. A resposta depende do objetivo. Para fins de rastreamento, ele não é mais recomendado (como no passado), pois os estudos mostraram que essa estratégia não trouxe redução da mortalidade e acarretou aumento do número de consultas e exames desnecessários, além de gerar angústia nas pacientes. No entanto, para fins de autoconhecimento do corpo, é recomendado que as mulheres de todas as idades   reconheçam seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas.

Fonte: INCA, 2021

Referências:

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Câncer de mama: vamos falar sobre isso?. 6º ed, Rio de Janeiro, 2021.

MIGOWSKI, Arn et al. Diretrizes para detecção precoce do câncer de mama no Brasil. III-Desafios à implementação. Cadernos de Saúde Pública, v. 34, 2018.

SANTANA, Milena; RIPPEL, Julia; FORTES, Renata. Boletim informativo para prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. Health Residencies Journal-HRJ, v. 1, n. 6, p. 54-62, 2020.

TEIXEIRA, Glauce Araujo Taborda; GONDINHO, Brunna. Análise dos benefícios ao SUS e seus usuários do diagnóstico precoce do câncer de colo de útero e câncer de mama. JMPHC| Journal of Management & Primary Health Care| ISSN 2179-6750, v. 12, n. spec, p. 1-2, 2020.

DE SOUZA, Caio Ferreira Filgueiras et al. Importância do diagnóstico precoce e o acesso ao rastreamento do câncer de mama por mulheres da zona rural da região nordeste do Brasil. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 2, p. 5572-5588, 2021.

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