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Sessão de Arquitetura Acessível: Hotéis Acessíveis

A Sessão Arquitetura Acessível volta essa semana para mostrar para vocês algumas regrinhas de acessibilidade que hotéis deveriam seguir, assim como todo espaço público. E ainda gostaríamos de destacar alguns hotéis que fazem um ótimo trabalho e que podem ser um ótimo destino de férias após o momento conturbado que estamos vivendo.

Para entender melhor, é necessário relembrar alguns pontos sobre a NBR 9050. A Norma  se refere a “Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos” e “(…) visa proporcionar a utilização de maneira autônoma, independente e segura do ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos à maior quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção”. 

Portanto, a norma destaca parâmetros que espaços públicos, como hotéis/resorts, precisam seguir para serem considerados acessíveis e estarem por dentro das regras. Nesta publicação focaremos nas regras destinadas à hospedagens, mas se você quiser saber mais sobre a norma, já temos um post aqui no blog sobre ela, é só clicar aqui!

E para começar, com base na NBR 9050 separamos as regras em categorias para facilitar sua explicação e seu entendimento. Dentre as categorias estão: comunicação, ambientes comuns, dormitórios, banheiros e uma categoria extra: praia.

COMUNICAÇÃO

A categoria de comunicação engloba os tipos de comunicação existentes, como: visual e sonora. A partir disso, a norma estabelece que em hospedagens é necessária a instalação de telefones, campainhas e alarmes de emergências visuais, sonoros e vibratórios.

Os sinais visuais são transmitidos através de textos ou figuras, e a sonora através de recursos auditivos. E dentro da categoria de sinais visuais temos os símbolos universais, que são símbolos que transmitem a mesma mensagem, não importa em que parte do mundo você esteja.

ÁREAS COMUNS

A categoria de áreas comuns engloba as regras destinadas às áreas em que diversos públicos se reunirão, portanto deve ser o mais acessível possível. Dentre as áreas comuns em hospedagens, pode-se ter os auditórios, salas de convenções, salas de ginástica, piscinas e entre outros. 

Esses ambientes podem ser acessíveis desde seu layout, não havendo possíveis obstáculos e também quanto aos pisos. O ideal é que sejam antiderrapantes e que não existam  desníveis entre um ambiente e outro. Mas que quando houver, que seu acesso seja facilitado com rampas inclinadas a porcentagem ideal.

Além disso, existem materiais de piso mais indicados para certas áreas. É importante que o piso seja plano regulado, visto que um piso desregulado dificulta a circulação da cadeira de rodas. Alguns desses materiais são madeira, vinílico ou de cerâmica, que costumam ser nivelados.

É também de extrema importância adicionar piso tátil nas mais variadas áreas da hospedagem, pois este piso informa ao deficiente visual o direcionamento a seguir ou se deve ficar em alerta.

DORMITÓRIOS

Na categoria de dormitórios estão sinalizados os parâmetros que devem ser seguidos para trazer maior conforto. Em um quarto simples, com armário e cama, a circulação comum entre um objeto e outro ou a parede deve ser de 90 centímetros. Essa medida é baseada nas medidas das cadeiras de rodas convencionais.

Além disso, é preciso constar pelo menos uma área com diâmetro de no mínimo 1,50 m que possibilite um giro de 360° para a realização de manobras. A figura abaixo demonstra uma planta baixa de dormitório com suas circulações mínimas.

As alturas são tão importantes quanto as medidas de circulação, visto que é necessário que o cadeirante ou a pessoa que possua uma estatura mais baixa possa alcançar objetos sem dificuldade. Entretanto, as alturas determinadas pela norma não estão destinadas apenas às hospedagens, estas devem ser utilizadas em todo tipo de edificação.

A norma determina que a altura das camas deve ser de 46 centímetros. “A altura de utilização de armários deve estar entre 0,40 m e 1,20 m do piso acabado. A altura de fixação dos puxadores e fechaduras deve estar em uma faixa entre 0,80 m e 1,20 m” (NBR 9050).

Essas medidas são recomendadas a partir de pesquisas e medidas referenciais do que seria o mais confortável para os usuários.

BANHEIROS

Na categoria dos banheiros, englobam-se todos os tipos de acessórios que devem conter para o amparo do hóspede. Dentre os acessórios gerais existem: cabide, saboneteira e toalheiro. Estes devem estar dentro da “faixa de alcance confortável”, na norma esta é considerada entre 80 centímetros e 1,20 metro.

Essas medidas são estabelecidas a partir de estudos como a imagem mostrada no tópico dos dormitórios, acima. Além desses acessórios, o banheiro acessível precisa conter acessórios específicos que tornam o ambiente acessível. Dentre esses, existem: barras de segurança, cadeira de banho higiênica, banco retrátil e assentos sanitários específicos.

  • barras de apoio e segurança
  • assento sanitário específico
  •  cadeira de banho higiênica 
  • banco retrátil

Ainda nos banheiros, mais precisamente dentro do box, é importante garantir que a altura do registro da ducha esteja dentro do alcance confortável. 

ACESSIBILIDADE NA PRÁTICA

Conforme combinado, separamos 2 hospedagens acessíveis indicadas pelo site Guia de Rodas para repassar para vocês. A primeira a ser apresentada será o Hotel Vivá Porto de Galinhas que fica na cidade de Ipojuca, no estado de Pernambuco. E depois, apresentaremos o Jurerê Beach Village localizado em Florianópolis, no estado de Santa Catarina. Dentre os hotéis apresentados pela publicação, esses hotéis foram ao que, ao nosso ver, mais satisfizeram os hóspedes.

A Laura Martins, do Guia de Rodas, ficou hospedada no hotel Vivá e um leitor dela, William Dias, se hospedou em Jurerê e  ambos relataram um pouco sobre as suas experiências e a partir destas, destacamos os pontos positivos e negativos para vocês. Caso queira checar a matéria postada no blog dela, pode clicar aqui.

  1. Hotel Vivá Porto de Galinhas/PE
  • pontos positivos: balcão da recepção com 2 alturas; pisos sem desníveis nas áreas comuns; rampa de acesso a área dos quartos coberta; quarto amplo;
  • pontos negativos: pia do banheiro instalada com altura abaixo do recomendado; chuveiro com ducha sem regulagem de altura e sem acesso manual; balcão do restaurante um pouco alto, mas tem-se auxílio dos funcionários; a passarela que permite o acesso à praia ainda não é acessível. 

Além das medidas acima tomadas pelo hotel, a praia de Porto de Galinhas possui outras medidas de acessibilidade, como é o exemplo do projeto Praia sem Barreiras. Na última postagem da Sessão Arquitetura sobre o Turismo Acessível em Cidades Acessíveis, que você não viu ainda, pode ver aqui, nós comentamos sobre o Projeto e sobre outros espalhados no país.

  1. Jurerê Beach Village (Florianópolis)
  • pontos positivos: resort plano; acesso facilitado por elevadores; mureta baixa no entorno da piscina, que de acordo com a experiência do visitante, isso facilitou a sua transferência da cadeira para o degrau da piscina e então para a piscina; cadeira higiênica;  ducha manual fixada em boa altura; o hotel oferece cadeira anfíbia para acesso à praia.

OBS: A cadeira anfíbia é conhecida por circular na terra e poder entrar na água com esta. Ela é atualmente muito usada por projetos que têm o intuito de possibilitar a entrada de cadeirantes no mar.

  • pontos negativos: apenas uma barra de segurança ao lado da ducha no banheiro; não possui banqueta fixada na parede; vaso sanitário com elevação e apenas uma barra de segurança;

Mais e mais sabemos que a acessibilidade está sempre em evolução, a cada dia, a cada pesquisa e a cada estudo as possibilidades de melhorar a vivência das pessoas aumentam. Por mais que essas e tantas outras hospedagens ofereçam o que aparenta ser o “mínimo”, sabemos que mesmo o “mínimo” ainda se é muito difícil fazer. O importante é saber valorizar quem valoriza o direito de todos e dar auxílio para que possam melhorar ainda mais.

Esperamos que tenham gostado do post de hoje e que tenham aprendido um pouco mais sobre a acessibilidade indispensável na arquitetura e na vida! Se esse tipo de conteúdo te interessa, você pode checar os outros posts aqui no nosso blog e compartilhar com quem quiser! Até a próxima!

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