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Tema da Redação do ENEM 2020 é sobre Saúde Mental

No dia 17 de janeiro de 2021, a prova de redação do ENEM trouxe como tema “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”. Os candidatos deveriam fazer um texto dissertativo-argumentativo e a nota pode chegar a até 1.000 pontos. Este tema veio logo após o ano conturbado de 2020, com toda a vivência trazida pela pandemia do Novo Coronavírus, quando nos vimos cercados de questionamentos não apenas sobre o vírus e suas consequências, mas também por temas como o isolamento social, a ansiedade, a depressão, o medo e tantas outras questões que precisam de uma atenção maior.

O tema também foi bem-vindo num mês de conscientização sobre saúde mental e emocional. Desde 2014, a Campanha Janeiro Branco busca fomentar uma cultura de saúde mental e tem como lema “todo cuidado conta”. A cor escolhida está associada à uma tela em branco, ao momento que escolhemos para traçar novas metas e para refletirmos sobre nossas emoções e sobre a nossa existência.

Ao falar sobre o tema do ENEM 2020, em primeiro lugar, é necessário saber o que é estigma e entender que é diferente de preconceito. Estigma se refere a uma marca ou sinal ou cicatriz que “caracterizaria” aquela pessoa ou grupo. Hoje, o significado se estende para um conceito definidor daquilo de que se fala. Quando se volta para questão de doenças mentais, sabemos que surgem os mais diversos estigmas, como incapazes, infelizes, destoantes de um padrão. Pessoas marginalizadas por uma sociedade que se considera sā. Falar sobre essas “tarjas” ou “rótulos”, nos faz refletir sobre a ideia de marginalização, descaso, desumanidade, desrespeito infame que já se observou na chamada “política de saúde mental” do Brasil e que hoje ainda perdura ecoando na cabeça de tantos.

A psiquiatria e a psicologia avançam em seus cuidados, mas se debatem com essas marcas a ferro que ainda são postas em pessoas do nosso convívio, que utilizam medicamentos diferentes e apresentam comportamentos diferentes. Na verdade, tememos o diferente e somos reféns de nossa ignorância, somos estigmatizantes com o que não compreendemos. Escorraçamos de nosso padrão tão “perfeito” tudo que nos parece “bizarro”, e nos tornamos “bizarros” quando acreditamos no tal padrão. Sofremos por questões emocionais.

Ano passado, vimos tantos (e nós mesmos) mais ansiosos e impotentes diante de nervos a flor da pele de muitos. Vimos nossa fragilidade mental estampada nos choros e lamúrias das perdas. Continuamos a assistir hoje um crescente de mortes e uma frieza de quem poderia agir. Estigmas? Dirigimos sem fim, somos seres escravos da necessidade de pureza de vida, acreditamos ainda na perfeição de comportamentos, cremos na possibilidade de exterminar os defeitos e negar nossas ramificações familiares. Preferimos ignorar os problemas ou os necessitados de olhar humanizado. É mais fácil enxergá-los sob o estigma de “louco”, “alienado”, “perdido”, do que trazê-lo para o lado e cuidar.

Que o tema tenha servido para reflexão de todos e para que no nosso cotidiano também possamos pensar em mais acolhimento, empatia e respeito ao outro. Que essa discussão sobre saúde mental não acabe por aqui.

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